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Sou pisciano, ascendente em áries, lua em sagitário. Mas não pense que eu acredito no zodíaco.

Sou mineiro, nascido em Governador Valadares, mas não, não moro e nunca morei nos Estados Unidos.

Acredito nas pessoas e na humanidade acima de tudo. Acredito no bom senso. Não, eu não acredito no Papai Noel.

Quero viver a vida, aprender, criar, transformar, enfim, quero aproveitar o que há de melhor e pior por aqui.

Do resto cuida o acaso.

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O caos é a ordem ou a guerrilha de utopias

Não é fácil enfrentar o crime organizado. Demanda inteligência, estrutura e conhecimento. Mais ainda, demanda integração concreta entre todos os setores do Poder Público envolvidos na questão. No entanto, o que vemos no dia-a-dia é um conflito permanente e ao mesmo tempo latente. Ora se normaliza, ora explode. E quem paga o pato normalmente não tem nada a ver com a história.

No fundo, o conflito está na mesma moeda: a triste realidade sócio-econômica brasileira. De um lado, quem se aproveita dela para viver. Do outro, quem vive apesar dela.

O ciclo é extremamente vicioso: desemprego e subemprego abundantes, educação pública ineficiente, jovens sem recursos ou perspectivas. O caminho mais fácil seduz. É a partir daí que se formam exércitos de militantes cuja ideologia única é viver 10 anos como se fossem 1000. E estas pessoas estão prontas para lutar até o fim por sua utopia.

A polícia fica, na maior parte das vezes, vendida. Quando entra neste conflito de forma organizada, o caos se torna a ordem: truculência é apenas uma palavra sutil. E a calmaria raras vezes se sustenta, pois o número de homens bem preparados é insuficiente para dar conta de toda a região. Assim, os policiais voltam para o batalhão e o crime organizado para a favela.

Ainda hoje vemos pessoas que não perceberam que este combate não pode ser feito sem interlocução permanente entre todos os setores do governo. Um grande exemplo disso é a operação do CORE na Favela da Coréia, na última quarta-feira. Apesar de mobilizar 500 policiais, um helicóptero e um carro blindado, foram necessárias 6 horas de confronto para que a polícia atingisse seus objetivos e se retirasse da comunidade.

A dimensão do crime organizado hoje envolve as áreas de atuação de diversas forças, entre as quais poderia citar pelo menos as polícias Federal, Civil e Militar, além do Ministério Público. Mas, em última análise, envolve mesmo todos os setores do Poder Executivo, em todos os níveis de governo. A questão é complexa sim e deve ser encarada desta forma.

Afinal de contas, enquanto um terço da juventude brasileira não tiver acesso a educação, saúde e emprego de verdade, mais e mais soldados continuarão se formando nesta guerrilha de utopias.

Produzido originalmente para o site do vereador Felipe Peixoto, em http://www.felipepeixoto.com.br/noticias.php?cod_noticia=274

- Postado por: nascimento.andre.luis.do às 03h55
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Salvem a comidinha da vovó

Primeiro foi o fim da espontaneidade.  Nos enfiaram pela goela a obrigação de usar garfos, facas e colheres. Embora houvesse uma resistência no início, esta foi se tornando cada vez mais clandestina, até chegar ao ponto em que os questionadores de talheres foram obrigados a se alimentar secretamente.

Os talheres, contudo, foram o mal menor. Afinal de contas, junto a eles vieram novas formas de preparo da nossa comida — e novas formas de sentirmos aquele sabor incomparável na hora do jantar.

O problema mesmo, e verdadeiro, foi quando iniciaram o ataque à carne vermelha. Lembro-me das trágicas cenas que presenciei em alguns restaurantes. Famílias divididas, amigos apartados, tudo por conta de um duelo que se pretendeu criar entre a saúde e o paladar do faminto.

Lembro-me inclusive do momento em que esta discussão ganhou um teor político grave, e militantes de ambos os lados bradavam palavras-de-ordem pelas suas idéias. Alguns mais exaltados acreditavam inclusive que o combate à carne vermelha era mais uma tática estadunidense para vencer a Guerra Fria.

Teria sido ótimo se este fosse o fim. Com o apoio da ciência, iniciaram uma ofensiva contra todo tipo de carne. Só se falava em vegetarianismo. Acuados, os militantes da carninha tentavam em vão se organizar para exigir seus direitos. Mas já era tarde. Os restaurantes vegetarianos começaram a se espalhar pelo mundo e a ganhar espaço perante a mídia e os formadores de opinião.

Agora fiquei sabendo que existe um tal movimento crudivorista, que defende a alimentação baseada em refeições cruas. Isso mesmo, cruas. No mesmo instante em que ouvi falar nisso, senti saudade das bacalhoadas e dos cozidos que minha avó aprontava. Acho que chegamos no limite da aceitação. Proponho que organizemos já uma passeata até a sede do governo onde exigiremos mais respeito. Faremos uma grande mobilização. Levaremos faixas e camisas com os dizeres: “salvem a comidinha da vovó” e “tragam pimenta para a carninha”. Não sei se dará certo, mas não poderão dizer que não tentamos fazer nada.



- Postado por: nascimento.andre.luis.do às 20h19
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Eu não sei.

Aliás, alguém por aqui sabe? Quem em sã consciência é capaz de definir o porquê de um blog? Há uma razão universal para isso? Por que é que alguém se dá ao trabalho de perder um tempo precioso escrevendo textos que no fim das contas quase ninguém vai ler? Falta de criatividade pra pensar em algo melhor pra se fazer? Excesso dela, transbordando? Alguém por aqui sabe pra que é que serve um blog?

Eu não sei. Inclusive, sempre achei isso uma coisa terrivelmente brega. Qual não foi a minha surpresa ao de repente me ver escrevendo textos pra colocar num blog? A solução foi não pensar muito sobre isso. O importante é falar alguma coisa. Qualquer coisa. Alguém tem alguma idéia?

Penso em falar sobre a origem dele, aquele dia em que um grande amigo, detentor de grandes verdades, disse: “para você escrever profissionalmente um dia, primeiro tem que montar um blog”. Posso falar sobre como achei ridícula a tal ponderação. Quer dizer... deixa pra lá. Este é o primeiro texto e falar sobre coisas ridículas traria à tona o que estou fazendo agora. Não entendeu? É, é isso mesmo.

Lembro-me ainda de uma amiga que me convidou, há algum tempo, a visitar o seu blog, cheio de fotos sorridentes. Eu poderia falar sobre a impressão que tive, ao ver aquilo, de que a vida deveria ser mais sorridente. Digo, entre uma foto e outra que tiramos, deveríamos nos manter mais alegres e menos carrancudos. Tudo bem, eu também acho o estresse do dia-a-dia necessário. Tudo bem, existem momentos alegres entre as fotos. Tudo bem, essa discussão toda é absurda. Tudo bem, já entendi, não precisa repetir. Eu quero apenas saber qual o sentido disso tudo. Isso tem sentido?

Vamos voltar ao assunto. A pergunta permanece: pra quê? Não faço a mínima idéia. Uns dizem que é pra divulgar meus textos. Outros acham que é uma fantasia narcisística. Existe uma turma que jura que é pra mostrar minhas fotos de sorrisos largos (a vida deveria ser mais sorridente). E tem ainda um carinha que garante que é só pra aparecer mais um pouco.

Podemos considerar que talvez isto sirva pra alguma coisa. Ou não sirva pra nada. Eu não sei. Nós descobriremos juntos.



- Postado por: nascimento.andre.luis.do às 08h46
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O Hitchcock de cada um

Tratava-se de um daqueles filmes inesquecíveis do Hitchcock. Aliás, poderíamos dizer que se tratava do mais inesquecível deles. A origem da polêmica foi mesmo A Janela Indiscreta e nem Pablo nem Tereza recuavam de suas posições.

Foi ela quem deu a idéia:

— Vamos assistir A Janela Indiscreta?

E foi ele quem começou:

— Mas nós já assistimos a esse filme.

A Tereza se intrigou:

— Quando foi que isso aconteceu?

E o Pablo deu a deixa:

— No ano passado, naquele hotel em Recife.

A Tereza jurava que o filme que assistiram naquela ocasião era O Homem Que Sabia Demais. E a disputa pela verdade se estabeleceu.

— Nós vimos esse filme juntos!

— Eu nunca vi esse filme na minha vida!

A situação era grave. A visita à mãe de Pablo já tinha ido por água abaixo. Pois é, eles nem mesmo estavam em casa. E nessa altura do campeonato, a dona do apartamento já se recolhia à área de serviço, catando os restos de vidro quebrado, e se conformava com a gritaria da sala.

— Você nunca se lembra dos nossos momentos!

— Você me traiu com uma piranha!

E o que teria sido um bom filminho com pipoca acabou mesmo foi em bronca do síndico. Logo no aniversário da Dona Carmen. Agora ai dela se convidar a nora pro seu apartamento de novo...



- Postado por: nascimento.andre.luis.do às 08h44
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blá!

- Postado por: nascimento.andre.luis.do às 03h37
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